Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Conversas da treta e algumas notas soltas: Museu Salazar

Assiste-se no nosso país a uma permanente e bem elaborada campanha, com vastos meios e sob diversas formas, de branqueamento do regime de Salazar e Caetano. Pretende-se, despudoradamente, reescrever a história de Portugal no século XX. Se possível apagar da memória a gesta da resistência anti-fascista. As expressões concretas deste objectivo são múltiplas e variadas.

Desde há algum tempo, duma forma progressiva, que tem vindo a ser difundido um projecto de criação de um denominado “Museu Salazar”. A ser instalado em Santa Comba Dão. Alguém, muito provavelmente os seus promotores, tem encontrado eco na comunicação social nacional. Mas também na regional. Face às reacções da opinião pública o planeado museu foi, significativamente, rebaptizado de «Museu do Estado Novo».

Quem são os patrocinadores? À cabeça surge a respectiva Câmara Municipal de maioria PSD. A qual, sublinhe-se, desde logo disponibilizou apoio político e meios logístico e financeiros. Depois, alguns familiares do ditador (nada alheios aos negócios envolventes…). Finalmente, outros interesses saudosos ou afectos ao regime fascista.

É uma completa mistificação apresentar este projectado “Museu” como algo que seria “devido” pelos seus concidadãos ou pelo município de origem ao ditador. É notório e indesmentível que Salazar foi tão responsável pela opressão, miséria e atraso de Santa Comba Dão como o foi do resto do País.

E só por manipulação se pode apresentar esta iniciativa como académica. Queiram ou não os seus promotores, defensores e apoiantes, este projecto, objectivamente, visa o revivalismo, o excursionismo e a propaganda do fascismo. Seria como se na Alemanha surgisse um Museu de Hitler ou na Itália o Museu Mussolini.

Acresce que, em si mesmo, constituiria um atentado aos ideais democráticos do povo português e dos democratas. E um claríssimo conflito com a Constituição e a Lei.

Convém não esquecer que Salazar, durante anos a fio, despachava semanalmente com o director da polícia política, a PIDE. Nenhum ministro se podia gabar de ser recebido com tal periodicidade!

Nessas reuniões discutiam-se as perseguições, as prisões, as torturas, as condenações, os assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo, protestar, lutar pela liberdade e por melhores condições de vida e de trabalho.

O executivo camarário de Santa Comba Dão alega a todo o momento dificuldades financeiras. Elas são a desculpa constante justificativa da sua inacção na resolução dos reais problemas do concelho. Vem agora falar num investimento que diz ser de mais de 5 milhões de euros. De onde vem o dinheiro? Este “Museu” é apresentado quase como a salvação para o atraso do concelho. Não há outras prioridades?

 

O nosso país carece sim de verdadeiros Museus da Resistência e do Fascismo. Lugares indispensáveis para estudar, em todas as suas vertentes, a realidade daquele período da história de Portugal. E para mostrar, sobretudo às gerações mais jovens, o porquê de “fascismo nunca mais”.


António Vilarigues
anm_vilarigues@hotmail.com
Sistemas de Comunicação e Informação

 

Publicado na edição do "JORNAL DO CENTRO" de 8 de Dezembro de 2006

publicado por António Vilarigues às 23:44
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O QUE ESTÁ A DAR – O MUSEU SALAZAR E NÃO SÓ

Os quarenta e oito anos de ditadura fascista constituem um dos períodos mais sombrios da história de Portugal.

Fascismo
A ditadura fascista criou um Estado totalitário e um monstruoso aparelho policial de espionagem e repressão políticas. Que actuava em todos os sectores da vida nacional, privando o povo português dos mais elementares direitos e liberdades.

A história da ditadura é uma história de perseguições, de prisões, de torturas, de condenações, de assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo, protestar, lutar pela liberdade e por melhores condições de vida e de trabalho.

Utilizando a força coerciva do Estado, a ditadura fascista impulsionou a centralização e a concentração de capitais, a formação de grupos monopolistas. Que se tornaram donos e dirigentes de todos os sectores fundamentais da economia nacional. Acumulando grandes fortunas assentes na sobre exploração, nas privações, na miséria e na opressão do povo português e dos povos das colónias portuguesas.

A ditadura fascista impôs aos trabalhadores formas brutais de exploração. Sacrificou gerações de jovens em treze anos de guerras coloniais. Forçou centenas de milhar de portugueses à emigração. Agravou as discriminações das mulheres e dos jovens, a subalimentação de grande parte da população, o obscurantismo, o analfabetismo, a degradação moral da sociedade.

A ditadura fascista realizou uma política externa de conluio com os regimes mais reaccionários. Que se traduziu no apoio directo à sublevação fascista em Espanha, na cooperação com a Alemanha nazi e a Itália fascista. Que se manifestou nas concessões militares que levaram ao estabelecimento de bases estrangeiras no território português. Que se revelou na subserviência ante as grandes potências imperialistas e no alinhamento com a política de guerra dos seus círculos mais agressivos e reaccionários.

Conforme definiu o Programa do PCP aprovado no VI Congresso realizado clandestinamente em 1965, o regime fascista foi uma ditadura terrorista dos monopólios (associados ao imperialismo) e dos latifundiários – ditadura frontalmente contrária aos interesses do povo português e de Portugal.

Museu Salazar
É tudo isto, e muito mais, que certos sectores da sociedade portuguesa procuram esconder e escamotear. Assiste-se a uma permanente e bem elaborada campanha, com vastos meios e sob diversas formas, de branqueamento do regime de Salazar e Caetano. “O que está a dar” é reescrever a história de Portugal no século XX.

Uma expressão de grande gravidade deste objectivo é a anunciada tentativa de pôr a funcionar em Santa Comba Dão, o chamado «Museu Salazar». Entretanto rebaptizado «Museu do Estado Novo». Que conta com o patrocínio da respectiva Câmara Municipal de maioria PSD. A qual, sublinhe-se, desde logo disponibilizou apoio político e meios logístico e financeiros. Bem como de familiares do ditador (nada alheios aos negócios envolventes…) e de outros interesses saudosos ou afectos ao regime fascista.

É uma completa mistificação apresentar este projectado “Museu” como algo que seria “devido” pelos seus concidadãos ou pelo município de origem ao ditador. Salazar foi tão responsável pela opressão, miséria e atraso de Santa Comba Dão como o foi do resto do País.

E só por manipulação se pode apresentar esta iniciativa como académica. Queiram ou não os seus promotores, defensores e apoiantes, este projecto, objectivamente, visa o revivalismo, o excursionismo e a propaganda do fascismo. Seria como se na Alemanha surgisse um Museu de Hitler ou na Itália o Museu Mussolini.

Acresce que, em si mesmo, constituiria um atentado aos ideais democráticos do povo português e dos democratas. E um claríssimo conflito com a Constituição e a Lei.

O nosso país carece sim de verdadeiros Museus da Resistência e do Fascismo. Lugares indispensáveis para estudar, em todas as suas vertentes, a realidade daquele período da história de Portugal. E para mostrar, sobretudo às gerações mais jovens, o porquê de “fascismo nunca mais”.

Divergências ideológicas
Noutra área do espectro político “o que está a dar” é sair do PCP por divergências ideológicas.

Pelos vistos alguns ex-comunistas pensam que ganham credenciais por esse facto. Vá-se lá saber porquê. Por ocasião da morte de Álvaro Cunhal, p. ex., assisti estupefacto a um a afirmar perante as câmaras da televisão que tinha abandonado o PCP em 1969 por divergências sobre a situação na Checoslováquia. Só que a realidade foi outra. Expulso em 1964, cinco anos antes, por questões que nada tiveram a ver com a ideologia. Imaginação fértil, ou algo mais?

Lamentavelmente Eduardo Prado Coelho (EPC) afina pelo mesmo diapasão.

Uma arreliadora gralha, estou certo disso, transformou Novembro de 1975, data da sua efectiva saída do PCP, em Novembro de 1974. Mas não foi um erro de escrita que o levou a confessar que “deslizei para a área socialista”. Mais uma vez “deslizamos” para o terreno do imaginário. A verdade está na edição do jornal “Avante!” de 16 de Novembro deste ano, ou em http://www.avante.pt/noticia.asp?id=16913&area=25.

Quanto à dialéctica materialista, entendida como teoria marxista do conhecimento, andávamos todos enganados. Mas EPC reconduziu-nos ao bom caminho. É tudo uma questão de intuição. Uns têm e outros não. Álvaro Cunhal pelos vistos tinha. E EPC? Já agora. Essa intuição é de origem divina ou genética?

EPC quando teoriza sobre questões da cultura fá-lo com qualidade e com profundidade. O mesmo não se pode dizer quando se debruça sobre o movimento comunista e revolucionário (“O baile dos espectros”).

Quase tudo nesse artigo assenta em falácias causadas pelo atrevimento que provém da ignorância. “ (…) esta reunião (Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários) é uma tentativa patética de sobrevivência, em que um certo número de partidos que já ninguém conhece, que nada pesam na vida política dos seus países, com ignotos mas certamente denodados dirigentes, resolvem brincar às casinhas e fingir que são gente grande. Não são, claro. Ninguém os toma a sério.” Por acaso nem precisamos de sair da Europa. Basta-nos ir a um país da União Europeia chamado Chipre (conhece?) onde os ditos “marxistas-leninistas” ganharam, pela segunda vez consecutiva, as eleições legislativas.

Pudemos também ir à África do Sul, onde o sucessor designado de Nelson Mandela, Chris Hani, era o secretário-geral do Partido Comunista. Por isso mesmo foi assassinado em 1993. E onde os comunistas têm um importante papel em todos os níveis do aparelho de estado.

Continuemos por África, Ásia, América do Norte, do Centro e do Sul, Oceânia. E que tal fazer os trabalhos de casa? Aliás a afirmação nem sequer é nova. Vem sendo repetida há dezenas de anos. Foi assim, por exemplo, quando apareceram os denominados “euro comunistas”. Ou quando caiu o muro de Berlim. Fraco argumento ideológico.

Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação


António Vilarigues
anm_vilarigues@hotmail.com
Sistemas de Comunicação e Informação

Publicado na edição do jornal PÚBLICO de 5 de Dezembro de 2006

publicado por António Vilarigues às 23:34
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O Santuário de Salazar

Este texto é publicado por Francisco Queirós* no Diario As Beiras, em 17 de Janeiro

Em Santa Comba Dão prepara-se um crime. A Câmara Municipal, de parceria com Rui Salazar de Lucena e Mello, pretende criar até final do ano o Centro de Estudos do Estado Novo (leia-se em bom português: do Fascismo) e o Museu Salazar.
A Câmara, o erário público pois, obriga-se à remuneração de 2 mil euros/mês ao doador, herdeiro do ditador, por lugar na sociedade a constituir. Cândidas e celestiais intenções do presidente da autarquia, que à comunicação social afirmou: “reavivar a memória do filho do feitor do Vimieiro (Salazar) poderá servir como “alavanca” para o desenvolvimento turístico”. Sem dúvida que será nosso dever reavivar a memória de Salazar e do Fascismo, explicando às novas gerações o que significaram os longos anos da ditadura fascista.
O projecto do Museu Salazar e a edificação de uma nova estátua ao ditador, já também anunciada, inserem-se no âmbito de uma descarada operação para reescrever a história, branqueando os anos negros da ditadura e os crimes do fascismo, abrindo igualmente caminho para no futuro de novo se legitimar o cerceamento de liberdades e direitos fundamentais.
Em Santa Comba Dão prepara-se um crime. A criação de um “santuário” de Salazar, a construção de um lugar de evocação e de culto, de romaria dos saudosistas do fascismo sob a capa de museu ou de centro de estudos, com mal-disfarçada roupagem científica é além do mais ilegal. A Constituição da República no artigo 46.ºé peremptória: “Não são consentidas (...) organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.” A Lei 64/78 proíbe claramente as organizações fascistas e a difusão dos seus valores e “a exaltação das personalidades mais representativas daqueles regimes” (número 1 do artigo 3.º).
Mas o crime que se prepara em Santa Comba é maior e mais grave. A exaltação do fascismo e o culto de Salazar são uma afronta e um ultraje aos milhares de presos políticos que sofreram ou morreram no Campo de Concentração do Tarrafal, em Caxias, em Peniche e nas outras prisões do regime. Uma afronta aos homens e mulheres torturados, aos assassinados pela PIDE de Salazar, como Humberto Delgado, Catarina Eufémia, José Dias Coelho e muitos outros. Uma afronta aos milhões de portugueses de várias gerações condenados à miséria, à fome, à emigração clandestina, ao analfabetismo, à guerra, privados de condições básicas de saúde, de educação, de habitação. Uma indignidade para com os milhões de portugueses condenados a décadas de uma vida regulada pelo medo, para com os milhões de homens e mulheres agrilhoados num Portugal que Salazar e o fascismo condenaram ao subdesenvolvimento. Uma afronta a milhões de homens e mulheres de todo o país, e também de Santa Comba, vítimas do fascismo português e do seu principal líder.
O único e possível Museu de Salazar é um museu com imagens de dor e de miséria, com gritos de sofrimento, um museu de vítimas da opressão e de heróis da resistência. Só assim seria “cientificamente neutro”, como falaciosamente afirmam querer os seus promotores. O museu que os saudosos do fascismo pretendem inaugurar é uma casa da mentira, de embuste, um santuário da vergonha.
António de Oliveira Salazar, o Tonito do feitor do Vimieiro, não honra a sua terra e as suas honestas gentes. Os santacombadenses e os portugueses sentem-se honrados com o trabalho, o esforço e o legado de pessoas-de-bem, não com a má memória de tempos de banditismo.


*Professor e Coordenador da Comissão Concelhia de Coimbra do PCP

Nota: Não sendo este texto de um dos co-autores deste blog encontra-se desactivada a opção Comentários

publicado por Mário Lobo às 14:00
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